Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis <ul> <li class="show"><strong>ISSN electrónico: </strong>2011-799X</li> <li class="show"><strong>Periodicidad:</strong> Semestral</li> <li class="show"><strong>Creative Commons:</strong> <a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.5/co/" target="_blank" rel="noopener">by-nc-sa</a></li> </ul> Universidad de Antioquia es-ES Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción 2011-799X <p>Aquellos autores/as que tengan publicaciones con esta revista, aceptan los términos siguientes:</p> <ol type="a"> <li class="show">La revista es el titular de los derechos de autor de los artículos, los cuales estarán simultáneamente sujetos a la&nbsp;<a href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.es_ES">Licencia de reconocimiento no comercial sin obra derivada de Creative Commons</a>&nbsp;que permite a terceros compartir la obra siempre que se indique su autor y su primera publicación esta revista.</li> <li class="show">Los autores/as podrán adoptar otros acuerdos de licencia no exclusiva de distribución de la versión de la obra publicada (p. ej.: depositarla en un archivo telemático institucional o publicarla en un volumen monográfico) siempre que se indique la publicación inicial en esta revista.</li> <li class="show">Se permite y recomienda a los autores/as difundir su obra a través de Internet (p. ej.: en archivos telemáticos institucionales o en su página web) antes y durante el proceso de envío, lo cual puede producir intercambios interesantes y aumentar las citas de la obra publicada.</li> </ol> Tradução comunizante: feminismo e política do comuns https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360509 <p>Este artigo apresenta o conceito de “tradução comunizante”, elaborado pelo Coletivo Sycorax: Solo Comum, com base em dois pilares: 1) a leitura feminista decolonial do conceito de “commoning translation”, definida por Jeniffer Hayashida, e 2) a prática coletiva de tradução feminista anticapitalista de <em>Reencantando o mundo: feminismo e a política dos comuns</em>, de Silvia Federici. O conceito traz uma concepção da prática coletiva de tradução como potencialmente transformadora e inerentemente política de ponta a ponta: da escolha do texto, passando pela formação intelectual das tradutoras, pelas relações de produção estabelecidas entre todos os sujeitos envolvidos, até a circulação do produto final. Nessa abordagem — particularmente relevante por permitir alinhar teoria e prática a experiências individuais e coletivas sobre lutas políticas feministas —, a agência tradutória extrapola a dimensão textual e torna-se uma noção que amplia o terreno de ação das tradutoras, movida por um ethos de justiça global via práticas coletivas de tradução. A tradução comunizante, tal qual propomos, traz princípios da política dos comuns estudados por Federici e postos em prática durante a tradução coletiva realizada pelo coletivo em questão, como autogestão, rotatividade de tarefas, horizontalidade decisória e orientação do trabalho à produção do bem comum. Sendo um modo de produção que considera, necessariamente, como, onde, por quem e para quem o conhecimento é produzido, a tradução comunizante estrutura-se também em reflexões sobre práticas feministas decoloniais de tradução, colonialidade do saber e conhecimento situado.</p> Cecília Rosas Laura Pinhata Battistam Luciana Carvalho Fonseca Maria Teresa Mhereb Raquel Parrine Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 504 520 10.17533/udea.mut.v18n2a11 O deslocamento do eu: línguas indígenas, autotradução e literatura https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360719 <p>No campo da literatura em línguas indígenas, a autotradução é um fator de mudança na promoção do diálogo intercultural e pode ser considerada uma forma de ativismo em si, na medida em que visibiliza línguas marginalizadas, contribuindo assim para remodelar cenários políticos e sociais. De fato, “indígena” não deve ser entendido como uma categoria racial, mas sim política, como demonstrado pelo ativismo linguístico dos autores como Yásnaya Aguilar Gil, Delmar Penka, Elvis Guerra, Margarita León, Irma Pineda ou Mikel Ruiz. Em seu ativismo, o recurso à autotradução parece inevitável, dada a falta de tradutores profissionais e o bilinguismo involuntário ou diglossia em que a maioria dos autores indígenas vivem. Isso, no entanto, abre caminho para um cenário de grande riqueza literária. Este artigo analisa diferentes práticas de autotradução literária nas línguas indígenas do México, que podem ser consideradas ativismo em defesa da diversidade linguística do país, e mostra como a autotradução contribui para equilibrar a relação assimétrica entre o espanhol e as línguas aborígenes. Por meio de uma série de entrevistas com diferentes atores envolvidos na literatura em línguas indígenas mexicanas, exploramos a noção e a prática da autotradução como resistência linguística. Este estudo abre novos caminhos para a pesquisa sobre a dimensão política da literatura em línguas indígenas, bem como suas contribuições para a compreensão da interculturalidade.</p> Melina Balcázar Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 521 538 10.17533/udea.mut.v18n2a12 Ativismo e memória transnacional: a tradução de reescritas epistolares da Guerra Civil espanhola https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360474 <p>Há algumas décadas, o potencial da tradução como forma de ativismo, de resistência e de mecanismo desestabilizador contra certos discursos hegemónicos sobre a história tem sido de interesse para os estudos da tradução. Ao analisar um estudo de caso por meio de uma autorreflexão sobre um processo de tradução colaborativa, este artigo busca mostrar até que ponto esse exercício acadêmico pode se tornar uma ferramenta para combater o esquecimento. Tomando como original uma série de cartas escritas por Paul Wendorf, um membro das Brigadas Internacionais durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), temos pretendido destacar o valor historiográfico e documental do seu testemunho, com a intenção de contribuir para a criação de uma memória transnacional através da sua tradução para espanhol, e para que esta, por sua vez, sirva como forma de reparação para as vítimas e outras pessoas afetadas pelo conflito. A escrita íntima e a narração de eventos traumáticos tornam necessário, neste caso, adotar um referencial teórico que incorpore o componente emocional e afetivo, o qual permite, ao mesmo tempo, uma abordagem crítica de uma narrativa autobiográfica e parcial do país naquele período, descrito a partir de uma perspectiva estrangeira. Esta pesquisa não só aprofunda as definições teóricas da disciplina, mas também fornece quadros de análise e soluções de tradução para abordar a tradução de textos de temática e gênero semelhantes.</p> Irene Rodríguez Arcos Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 539 557 10.17533/udea.mut.v18n2a13 Ativismo linguístico digital para idiomas minoritários: o caso do catalão https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360503 <p>O boom da Internet e a evolução das tecnologias de linguagem, em especial os softwares de tradução automática e os grandes modelos de linguagem, transformaram radicalmente as condições de acesso ao conhecimento, a produção textual e a circulação global de informações. Essas inovações facilitaram a comunicação multilíngue, mas também reforçaram a dinâmica da concentração linguística, o que pode afetar negativamente a visibilidade, o prestígio e a funcionalidade dos idiomas minoritários, gerando o que foi chamado de “exclusão linguística digital”. Esse fenômeno põe em risco a sustentabilidade desses idiomas no ecossistema digital, limitando sua presença em plataformas tecnológicas e restringindo sua capacidade de adaptação a novos ambientes comunicativos. Este artigo analisa criticamente o impacto dessa lacuna na diversidade linguística e examina o papel do ativismo linguístico digital como uma forma de ação coletiva destinada a neutralizar essas assimetrias. Nessa estrutura, o caso do catalão é estudado por meio de duas iniciativas emblemáticas: Viquipèdia e Softcatalà, uma organização sem fins lucrativos pioneira no desenvolvimento de tecnologias linguísticas em catalão. Ambas as propostas ilustram como o engajamento sustentado das comunidades linguísticas pode se traduzir na criação de infraestruturas digitais, recursos linguísticos abertos e espaços para uso significativo on-line, além das políticas governamentais.</p> Sergi Alvarez-Vidal Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 558 573 10.17533/udea.mut.v18n2a14 Presentación https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/362251 Paula Andrea Montoya-Arango Kelly Washbourne Juan Guillermo Ramírez Giraldo Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 283 291 10.17533/udea.mut.v18n2a01 Agência dos intérpretes indígenas, Estado e direitos humanos: a crise de janeiro de 2023 no Peru https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360579 <p>No campo das políticas linguísticas e das políticas de tradução, a agência de tradutores e intérpretes costuma ser estudada como um conjunto de iniciativas “de baixo”, voltadas para a justiça social e a defesa dos direitos dos cidadãos. Essas ações são frequentemente concebidas em oposição radical às iniciativas e estruturas estatais. A partir da análise de um exemplo peruano de autogestão em um contexto de crise política, propomos que a dicotomia entre iniciativas “de baixo” e políticas “de cima” não permite observar com precisão suficiente os complexos entrelaçamentos que surgem entre essas duas dimensões em momentos de crise. O caso que analisamos trata da resposta rápida, em janeiro de 2023, de um grupo de tradutores e intérpretes quéchuas e aimarás no contexto dos protestos populares ocorridos após o fracassado autogolpe de Pedro Castillo e a resposta violenta do novo governo de Dina Boluarte. Nesse contexto, pessoas falantes de quéchua e aimará — que haviam viajado de regiões rurais do sul do país até Lima, a capital, para protestar — foram presas de forma arbitrária. A análise detalhada de oito entrevistas com tradutores e intérpretes que prestaram apoio a esses detidos, complementada por documentação paralela, revela que atuaram de forma coordenada com representantes de agências estatais que provavelmente permaneceram nos bastidores por precaução política. Esse caso convida a desenvolver uma visão integrada das políticas públicas, atenta à fluidez entre a agência cidadã e as novas oportunidades multiculturais oferecidas pelo Estado.</p> Luis Andrade Ciudad Andrés Napurí Susana Frisancho Enrique Delgado Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 292 317 10.17533/udea.mut.v18n2a02 “O lítio a gente não come”: traduzindo vozes locais na cobertura multimodal e multilíngue da Agence France-Presse https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360514 <p>As agências globais de notícias têm oferecido ampla cobertura multilíngue e multimídia sobre a exploração do lítio, ou “ouro branco”, na América do Sul. Essa versatilidade multimodal permite diversificar o público-alvo e alcançar uma circulação global. Diante desse contexto, o presente artigo examina, em primeiro lugar, o percurso das vozes locais — ou fontes — de comunidades próximas aos centros de extração de lítio, atravessando fronteiras linguísticas, culturais e geográficas. Em seguida, analisa o papel da tradução na visibilização dessas vozes frente aos desafios inerentes à sua realidade coletiva. O foco recai sobre as versões multilíngues e multimídia de uma reportagem audiovisual produzida pela Agence France-Presse, disponível em espanhol, francês, inglês e português, e identificamos sua gênese em diferentes despachos textuais relacionados. A análise concentra-se em elementos linguísticos como legendas, dublagem, vozes sobrepostas, legendas narrativas e narrativas gráficas, para estudar como o testemunho original em espanhol é transposto para alcançar um público global multilíngue. Por fim, refletimos sobre o ambiente midiático em transformação e as práticas tradutórias-editoriais, a partir de uma abordagem interdisciplinar, com o objetivo de evidenciar a presença da tradução em um contexto profissional que nem sempre a reconhece como tal. Este estudo apresenta dados e uma abordagem inovadores, ao abordar a realidade de três países do Sul Global e ao tomar como ponto de partida as versões originais em espanhol — uma direção ainda pouco estudada até o momento.</p> Natalia Rodríguez-Blanco Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 318 343 10.17533/udea.mut.v18n2a03 Em nome de Nida: Institucionalizando o pensamento evangélico por meio dos estudos de tradução https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360515 <p>Este artigo revisita criticamente o reconhecimento simbólico de Eugene Nida nos estudos de tradução à luz de seu envolvimento em organizações missionárias e na formação de tradutores missionários. Examinamos como a recepção de Eugene Nida nos estudos de tradução contribuiu para legitimar as atividades missionárias evangélicas ao longo da história e hoje em dia. Nossa análise ilustra primeiro vários modos de representação de Nida nos estudos de tradução e estabelece ligações com o Instituto Linguístico de Verão. Posteriormente, descrevemos como o envolvimento ativo de Nida em organizações missionárias desempenhou um papel crítico no estabelecimento da legitimidade acadêmica desse movimento. Por fim, incorporamos essas descobertas em uma discussão mais ampla sobre a relação entre os estudos de tradução e a tradução missionária. Nossas conclusões mostram a necessidade de um debate acadêmico aprofundado com o objetivo de reavaliar o posicionamento de figuras-chave dentro do cânone disciplinar e reconstruir os efeitos da tradução missionária dos séculos XX e XXI sobre os direitos dos povos indígenas, suas cosmovisões e seus territórios.</p> Rafael Schögler Christina Korak Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 344 369 10.17533/udea.mut.v18n2a04 Subjetividade e gênero: um estudo prosódico na interpretação simultânea de conferências https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360526 <p>Guerra, violência e abuso sexual e sexista são apenas alguns dos flagelos sofridos pelas mulheres em todo o mundo. Nesse contexto, a Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher é um importante fórum internacional para a promoção de políticas de igualdade de gênero. Lá, a interpretação desempenha um papel fundamental. Este artigo propõe um estudo, a partir da abordagem dos estudos de tradução feminista transnacionais, da construção da subjetividade e do ethos relacionado, por meio de mecanismos prosódicos na interpretação simultânea (inglês-espanhol). Partimos da hipótese de que a prosódia, na interpretação simultânea, é fundamental para (re)configurar significados que favorecem (ou dificultam) processos transnacionais de produção e disseminação de discursos sobre gênero e justiça social. Metodologicamente, este artigo combina análises perceptuais e instrumentais (software Praat) com um exame qualitativo de casos extraídos de um corpus de discursos apresentados na Comissão. Os resultados preliminares destacam o papel ativo da interpretação, seu potencial de contribuir para o avanço de uma agenda de gênero e responsabilidade social e ética. O artigo tem como objetivo contribuir para a caracterização e conceituação das práticas de interpretação simultânea em termos de responsabilidade não apenas com o trabalho de interpretação, mas também com a sociedade em geral, aspectos fundamentais para os debates dos estudos de tradução locais, regionais e internacionais atuais.</p> Gabriela Luisa Yañez Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 370 393 10.17533/udea.mut.v18n2a05 Treinamento de intérpretes de língua de sinais espanhola na assistência a mulheres surdas vítimas de violência de gênero https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360500 <p>Este artigo analisa a formação e o ambiente de trabalho de intérpretes de língua de sinais em contextos de violência de gênero na Espanha, quando as vítimas são mulheres surdas. Com o objetivo de obter dados mais representativos e detalhados sobre as percepções reais dos profissionais de interpretação em língua de sinais a respeito de sua formação e atuação em contextos de violência de gênero, foi elaborado um questionário com 24 perguntas que investigam sua prática profissional nessas situações. As respostas coletadas de 63 intérpretes atuantes em diferentes regiões da Espanha mostram que mais de 80% desses profissionais enfrentam dificuldades nessas situações, enquanto apenas 24% possuem formação especializada (que, na maioria dos casos, é muito breve) e 100% deles relataram o desejo de receber formação específica. As respostas evidenciam as dificuldades e necessidades desses intérpretes e permitem propor diretrizes para sua formação específica para atuação em contextos de violência de gênero.</p> Beatriz Longa Alonso Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 394 410 10.17533/udea.mut.v18n2a06 José Antonio Alzate y Ramírez: resistência e compromisso de um tradutor na periferia global https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360494 <p>Durante o século XVIII, teorias popularizadas por Georges-Louis Leclerc e Cornelius de Pauw apontavam que os seres humanos na América, assim como a flora e a fauna, se degeneravam, razão pela qual o continente era considerado inferior em termos naturais, culturais e morais. Alguns crioulos ilustrados americanos buscaram refutar tais ideias prevalecentes por meio da crítica e da tradução. Este artigo analisa o caso de um deles, José Antonio Alzate y Ramírez (1737-1799), polímata novohispano fundador da imprensa periódica culta americana. Alzate publicou quatro jornais, nos quais plasmou os ideais ilustrados de utilidade pública e de avanço por meio do conhecimento e da técnica. O texto explora o uso que Alzate fez da tradução em seus jornais da periferia global como uma ferramenta para contestar as ideias hegemônicas antiamericanas e para mostrar as contribuições, a riqueza e o potencial locais. Por meio de uma abordagem metodológica que combina a análise textual das traduções, dos paratextos e dos escritos de Alzate com um estudo contextual que considera as dinâmicas sociais e culturais da Nova Espanha, bem como as estratégias intelectuais de confronto aos discursos hegemônicos, busca-se compreender os mecanismos de resistência cultural e reconhecer o papel da tradução como prática de agência política e cultural. Tal perspectiva abre a possibilidade de reconsiderar a tradução em contextos coloniais como espaço de agência política e cultural. Nesse sentido, o estudo contribui para a historiografia da tradução ao propor a noção de “protoativismo tradutivo” como categoria analítica para épocas anteriores aos movimentos de independência.</p> Pedro Velasco Nieves Anna Maria D'Amore Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 411 433 10.17533/udea.mut.v18n2a07 A tradução comunitária e o aprentizagem-serviço no Canadá e nos Estados Unidos como ferramenta de justiça social para migrantes do Sul Global https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360533 <p>Este artigo apresenta um estudo de caso em que dois professores de tradução da Université de Moncton e da Universidade do Texas em Arlington, em colaboração com duas organizações sem fins lucrativos — New-Brunswick Refugee Clinic e Proyecto Inmigrante — desenvolveram workshops de tradução comunitária para treinar voluntários. O artigo analisa a implementação e os resultados dessa iniciativa, que surgiu como uma tentativa de atender à necessidade urgente de serviços de tradução e interpretação comunitária para superar a barreira linguística enfrentada por migrantes nos Estados Unidos — especificamente no Texas — e no Canadá, particularmente na província de New Brunswick. Longe de ser uma questão pontual, a falta de acesso a serviços linguísticos continua sendo um desafio persistente, sem solução à vista. Embora o estudo não se enquadre no contexto do Sul Global nem considere o espanhol uma língua minoritária, vale ressaltar que a maioria das pessoas afetadas pela falta de serviços de tradução e interpretação comunitária acessíveis e de alta qualidade nos Estados Unidos e no Canadá são pessoas desse contexto. Assim, treinar voluntários sem qualificações profissionais — e, no caso do projeto nos Estados Unidos, envolver estudantes por meio de um projeto de aprendizagem-serviço — fortalece a equidade e promove a justiça linguística. Este estudo contribui para as pesquisas existentes sobre tradução comunitária como forma de engajamento social e põe em destaque sua relevância onde os migrantes encontram-se em situação de desamparo linguístico. Iniciativas como essas oficinas promovem a equidade, o compromisso social e o acesso a direitos fundamentais para comunidades migrantes provenientes do Sul global no Canadá e nos Estados Unidos.</p> Anne Beinchet Alicia Rueda-Acedo Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 434 457 10.17533/udea.mut.v18n2a08 A pesquisa-ação e o aprendizagem em serviço como metodologias transformadoras: o caso da tradução e a interpretação em contextos de migração e asilo https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360492 <p>A tradução e a interpretação dentro das organizações não governamentais que atendem pessoas em contextos de migração e asilo apresentam espaços de melhoria que metodologias socialmente comprometidas, como a pesquisa-ação e a aprendizagem-serviço, podem ajudar a transformar para avançar em direção a sociedades mais justas. Ambas as metodologias compartilham uma abordagem participativa e reflexiva orientada para a mudança social, embora se articulem a partir de perspectivas diferentes: a primeira, a partir da prática profissional, orientando os próprios profissionais a analisar criticamente seu trabalho e agir como agentes de transformação da realidade; a segunda, a partir do ensino formal, ao vincular a formação dos estudantes à prestação de um serviço real à comunidade. A justiça social é analisada aqui em duas dimensões essenciais: a) o reconhecimento do trabalho daqueles que atuam como intérpretes no âmbito das ong que assistem migrantes e b) a participação ativa das pessoas que utilizam essas entidades nas decisões relacionadas ao seu direito de compreen-der. Para investigar o reconhecimento da figura do intérprete, utiliza-se a investigação-ação e, para aprofundar o direito de participação da população migrante, parte-se da experiência acumulada no âmbito de um projeto de aprendizagem-serviço implementado na Universidade de Salamanca em colaboração com ong que assistem migrantes. O projeto promove a tradução intralinguística na pre-paração e validação de materiais acessíveis na Leitura Facil, em conjunto com as próprias pessoas migrantes usuárias para lograr una comunicação clara e efetiva.</p> Hend Ghidhaoui Cristina Valderrey-Reñones Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 458 480 10.17533/udea.mut.v18n2a09 Rumo a uma base ética para tradutores médicos por meio da pedagogia crítica e do ativismo https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360510 <p>Este trabalho, como uma iniciativa docente independente, propõe integrar a ética profissional e o ativismo social na formação de tradutores médicos. A partir dos princípios de Freire e das contribuições de Giroux, assim como de Tymoczko, Valero-Garcés e Tipton, a tradução médica é concebida como uma prática social que promove justiça e equidade em contextos vulneráveis. O objetivo, portanto, foi analisar a evolução da percepção da ética na tradução médica por parte dos estudantes, por meio da elaboração, implementação e avaliação de estratégias didáticas baseadas na pedagogia crítica e no ativismo, voltadas para o fortalecimento de sua formação ética e engajada. A pesquisa foi desenvolvida em duas fases. Na primeira, aplicou-se um questionário qualitativo a estudantes que cursaram Tradução Médica sob um currículo anterior, no qual o plano de ensino mencionava a responsabilidade social do tradutor, mas sem abordá-la nos conteúdos ou atividades. Na segunda fase, com um novo grupo e um currículo atualizado que inclui a ética como eixo central desde o primeiro módulo, foi planejada e implementada uma intervenção de quatro semanas, com atividades sobre perfil profissional, dilemas bioéticos e produção de materiais acessíveis. Os resultados da fase 1 mostraram que os estudantes reconheciam a ética e a precisão terminológica como aspectos importantes, embora de forma geral. Na fase 2, observou-se uma evolução mais profunda: os estudantes passaram a reconhecer a precisão terminológica como eixo ético, desenvolveram maior consciência sobre seu impacto na acessibilidade linguística, compreenderam as implicações legais de seu trabalho e demonstraram mais segurança para enfrentar dilemas éticos. Essa proposta reforça o papel do tradutor médico como agente de mudança social.</p> Gabriel Maldonado Pantoja Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 481 503 10.17533/udea.mut.v18n2a10 Resenha: Jacques Derrida e a tradução: novas perspectivas para a tradutologia desconstrutiva https://revistas.udea.edu.co/index.php/mutatismutandis/article/view/360467 Juan de Miquel Copyright (c) 2025 Mutatis Mutandis. Revista Latinoamericana de Traducción https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-09-24 2025-09-24 18 2 574 577 10.17533/udea.mut.v18n2a15