O trabalho com argumentação em ambientes de ensino-aprendizagem: um desafio persistente
DOI:
https://doi.org/10.17533/udea.unipluri.15151Palavras-chave:
argumentação, construção de conhecimento, debate crítico, ensino-aprendizagem, metacognição, reflexãoResumo
O presente texto focaliza uma experiência inovadora no âmbito do ensino universitário brasileiro, cujo objetivo imediato foi investigar um método de trabalho com a argumentação em sala de aula que pudesse atender, simultaneamente, a três critérios: 1) ser teoricamente fundamentado, 2) capaz de viabilizar o duplo objetivo de favorecer a construção de conhecimento sobre conteúdos curriculares e contribuir para o desenvolvimento de competências crítico- argumentativas entre estudantes, 3) ter potencial para apropriação e aplicabilidade em situações educativas outras (formais, não formais) que não aquela na qual foi gerado. O método utilizado foi uma adaptação do Modelo do Debate Crítico, proposto em Fuentes (2011). Na apresentação da experiência realizada, três ideias básicas são enfatizadas. Primeiro, a importância de que se proponham desenhos de práticas argumentativas para a sala de aula que sejam teoricamente fundamentados -nos quais se possa identificar aspectos da argumentação e ações de sala de aula que efetivamente favorecem a reflexão e a construção do conhecimento, e como o fazem-. Segundo, que o desenho do debate crítico, nos moldes propostos em Fuentes (2011), pode trazer expressiva contribuição tanto à construção do conhecimento sobre tópicos curriculares, quanto ao desenvolvimento das competências argumentativas dos estudantes. Terceiro que, mais do que ressaltar detalhes específicos de diferentes desenhos argumentativos, importa identificar princípios e/ou dimensões essenciais que práticas de argumentação em ambientes educativos necessariamente deveriam contemplar, se quisermos que a argumentação na sala de aula de fato potencialize a construção do conhecimento e o desenvolvimento das competências reflexivas do indivíduo.
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